A poupança continua sendo o primeiro lugar onde a maioria dos brasileiros guarda dinheiro. É simples, não tem taxa de administração visível e todo mundo já tem uma conta pronta no banco onde recebe o salário. O problema não é a simplicidade — é que, pela própria regra que define sua remuneração, ela tende a pagar menos do que outras opções com o mesmo nível de segurança. Este texto explica como cada opção calcula seu rendimento, o que garante a segurança de cada uma e como comparar na prática, sem fixar um número de Selic que muda a cada reunião do Copom.
Por que a poupança rende menos que outras opções seguras
A remuneração da poupança não segue a Selic diretamente. Segundo a Lei nº 12.703, de 7 de agosto de 2012 (consultada em 04/08/2026), depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012 seguem esta regra: quando a meta da Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês; quando a Selic está igual ou abaixo de 8,5% ao ano, passa a render 70% da meta Selic (proporcional ao mês). Em ambos os casos, soma-se a variação da TR (Taxa Referencial), calculada e publicada pelo Banco Central.
Ou seja: o teto de rendimento da poupança está travado num percentual que não sobe junto com a Selic. Quando a Selic sobe acima de 8,5% ao ano, a poupança fica parada em 0,5% ao mês; só quando a Selic cai para 8,5% ao ano ou menos é que a conta muda para 70% da Selic. Para saber em qual das duas faixas a Selic está agora, e qual o valor vigente da TR, consulte o histórico de metas da Selic publicado pelo Banco Central.
Fazendo a conta apenas com a taxa fixa: 0,5% ao mês capitalizado por doze meses equivale a aproximadamente 6,17% ao ano (sem contar a TR) — esse é o teto da poupança sempre que a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, independentemente de quão mais alta a Selic esteja.
Como cada opção calcula o rendimento
| Onde | Como o rendimento é calculado | Imposto de Renda | Garantia |
|---|---|---|---|
| Poupança | 0,5% a.m. + TR (Selic > 8,5% a.a.) ou 70% da Selic + TR (Selic ≤ 8,5% a.a.) | Isenta para pessoa física | FGC, até R$ 250.000,00 por CPF por instituição |
| Tesouro Selic | Acompanha a Selic quase integralmente; título público federal com liquidez diária | Tabela regressiva de renda fixa | Tesouro Nacional |
| CDB 100% do CDI | Percentual do CDI definido pelo banco emissor (CDI acompanha a Selic de perto) | Tabela regressiva de renda fixa | FGC, até R$ 250.000,00 por CPF por instituição |
| Cofrinho digital | Normalmente um CDB de liquidez diária, com percentual do CDI definido pelo banco | Tabela regressiva de renda fixa | Normalmente FGC — confirme no app de cada banco |
Os percentuais exatos de Selic e CDI mudam a cada ciclo do Copom, então qualquer número fixo impresso aqui ficaria desatualizado. Para o valor vigente no momento da leitura, o histórico de metas da Selic está disponível no portal de dados abertos do Banco Central, e o simulador de rendimento do Tesouro Selic está disponível em tesourodireto.com.br.
Um exemplo hipotético, para dar noção de grandeza
Suponha, hipoteticamente, uma Selic de 12% ao ano — valor apenas ilustrativo, não a taxa vigente. Nesse cenário hipotético, R$ 10.000,00 aplicados por um ano renderiam, antes de qualquer taxa de custódia: na poupança, cerca de R$ 617,00 (regra de 0,5% a.m., já que 12% está acima de 8,5%); no Tesouro Selic ou num CDB de 100% do CDI, cerca de R$ 1.200,00 brutos, dos quais uma parte vai para o Imposto de Renda regressivo antes de chegar à conta do investidor. Mesmo depois do imposto, a diferença tende a favorecer o Tesouro Selic ou o CDB frente à poupança sempre que a Selic estiver acima de 8,5% ao ano — a magnitude exata depende da Selic vigente no momento e do prazo de resgate escolhido.
Tesouro Selic: a alternativa mais direta
O Tesouro Selic é um título público federal cujo rendimento acompanha a Selic quase integralmente. É considerado o investimento de menor risco de crédito do país, porque quem garante o pagamento é o Tesouro Nacional. Tem liquidez diária: é possível resgatar em qualquer dia útil.
Duas cobranças entram na conta ao comprar Tesouro Selic. A primeira é a taxa de custódia da B3, cujo percentual vigente e eventuais faixas de isenção por valor aplicado devem ser conferidos diretamente no site oficial do Tesouro Direto antes de investir, já que essas condições podem mudar. A segunda é o Imposto de Renda, que segue a mesma tabela regressiva que vale para CDB e para a maioria dos investimentos de renda fixa: 22,5% sobre o rendimento para resgates em até 180 dias, 20% entre 181 e 360 dias, 17,5% entre 361 e 720 dias, e 15% para quem deixa o dinheiro investido por mais de 720 dias, conforme a Lei nº 11.033/2004. Quem está começando agora pode seguir o passo a passo em Tesouro Direto para iniciantes antes de fazer a primeira compra.
Vale notar que existe outra família de títulos públicos, o Tesouro IPCA+, que serve a um objetivo diferente: proteger o poder de compra no longo prazo em vez de acompanhar a Selic no curto prazo. Objetivos de longo prazo envolvem outra lógica, explicada em Tesouro IPCA+: como funciona e o que considerar.
CDB e a garantia do FGC
O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é, na prática, um empréstimo que o investidor faz ao banco em troca de um rendimento — normalmente expresso como um percentual do CDI, a taxa que baliza a maior parte dos investimentos bancários no Brasil e que acompanha a Selic de perto. Um CDB que paga 100% do CDI rende, no dia a dia, algo muito próximo do Tesouro Selic, antes de descontado o imposto.
A pergunta que costuma travar quem pensa em sair da poupança é a segurança: e se o banco quebrar? Para isso existe o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), uma entidade privada sem fins lucrativos mantida pelos próprios bancos. Segundo o site oficial do FGC (consultado em 04/08/2026), a garantia cobre até R$ 250.000,00 por CPF, por instituição financeira associada (ou por conglomerado financeiro), em caso de intervenção ou liquidação. Essa garantia cobre CDB, RDB, LCI, LCA e a própria poupança. O FGC também prevê regras adicionais de cobertura para quem tem patrimônio elevado — o detalhamento vigente está no site oficial do FGC.
Na prática, isso significa que um CDB de um banco médio ou pequeno, com um rendimento mais atrativo do que o de um banco grande, carrega o mesmo tipo de proteção da poupança até o teto de R$ 250.000,00. Quem quiser diversificar ainda mais dentro da renda fixa isenta de IR encontra outras duas opções, LCI e LCA, comparadas em detalhe em LCI e LCA: como funcionam e o que considerar em 2026.
Cofrinhos digitais: o que realmente são
Cofrinhos como os oferecidos por Nubank, Inter, C6 e outros bancos digitais não são um produto novo — costumam embrulhar uma aplicação de renda fixa numa interface mais simples, com nome de "caixinha" ou "cofrinho" e integração direta com o Pix. Cofrinhos e caixinhas podem aplicar os recursos em CDB, RDB, fundos ou outros produtos, conforme as regras de cada instituição. A taxa e a tributação seguem as mesmas regras de qualquer CDB, incluindo a tabela regressiva de IR. A cobertura do FGC costuma se aplicar, mas o produto exato e sua garantia devem ser conferidos no app de cada banco, já que isso pode variar entre modalidades.
Para quem usa o Nubank como banco principal, o caminho de como investir dentro do próprio app está em Como investir pelo Nubank passo a passo em 2026.
Etapas envolvidas em uma eventual migração da poupança
Uma migração da poupança pode envolver a abertura de uma conta em uma instituição que ofereça CDB ou Tesouro Direto, a transferência dos recursos e a comparação de características como liquidez, tributação, garantia e prazo. Reservas de emergência normalmente exigem liquidez imediata, característica presente no Tesouro Selic e em CDBs de liquidez diária, mas não em todos os títulos de renda fixa. O prazo de resgate acima de 720 dias reduz a alíquota de IR para 15%, conforme a Lei nº 11.033/2004. A adequação de cada produto depende das necessidades e da situação individual do investidor.
O risco do Tesouro Selic é o risco do governo federal; o risco da poupança é o risco do banco onde ela está, mitigado pelo mesmo FGC que protege o CDB.
Selic e CDI: a diferença que gera confusão
Um bloqueio comum na hora de sair da poupança é não entender a diferença entre Selic e CDI. A Selic é a taxa básica de juros da economia, definida pelo Copom a cada reunião. O CDI é a taxa que os bancos usam para emprestar dinheiro entre si de um dia para o outro, e segue a Selic de perto — para fins de comparação entre investimentos, as duas costumam ser tratadas como equivalentes. Quanto mais próximo de 100% do CDI (ou acima), maior o rendimento nominal de um CDB comparado a um Tesouro Selic equivalente, antes de descontado o imposto.
O passo que fica esquecido: acompanhar o que já foi migrado
Sair da poupança resolve o problema do rendimento parado, mas cria um novo: o dinheiro fica espalhado entre Tesouro Selic, um ou dois CDBs e talvez um cofrinho digital, cada um em um aplicativo diferente. Sem uma visão única, é fácil perder de vista quanto rendeu, quando vence cada aplicação e se o imposto já caiu na alíquota mais baixa. Uma planilha simples, como a apresentada em Planilha de investimentos: como controlar carteira e rendimento, ou um aplicativo que consolide as contas automaticamente ajuda a acompanhar isso ao longo do tempo.
Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Consulte um profissional habilitado antes de investir.
Organize suas finanças com mais clareza. Conheça o CashControlly.
Meça seu nível agora
Aplique o que acabou de ler e descubra sua pontuação real em menos de 2 minutos.
Sobre o autor

Enrique 'Kike' Faúndez é engenheiro em Sistemas de Informação e Controle de Gestão pela Universidad de Chile, com mestrados em Finanças pela Universidad de Chile e Engenharia Industrial pela Pontificia Universidad Católica de Chile. Tem mais de 15 anos de experiência em serviços financeiros regulados, incluindo finanças, operações e desenvolvimento de produtos digitais. Fundou a CashControlly em Santiago do Chile com a convicção de que o controle financeiro pessoal não deve ser um privilégio, mas uma ferramenta acessível e bem desenhada.
- Mestre em Finanças, Universidad de Chile
- Mestre em Engenharia Industrial, Pontificia Universidad Católica de Chile
- Engenheiro em Sistemas de Informação e Controle de Gestão, Universidad de Chile
- Certificações em Inteligência Artificial e ITIL
- Mais de 15 anos em serviços financeiros regulados
Quer aplicar isso de verdade?
O CashControlly te ajuda a levar este aprendizado para o dia a dia. Sem conectar seu banco.
Começar 14 dias grátis